“O nome dele é Guilherme, ele faz aquele estilo mais desapegado, mas é romântico ao mesmo tempo, eu acho que estou simplesmente apaixonada por ele.”
COMO ASSIM?! E O LUC? Onde fica o Luc nessa história toda velho? A Manu tem retardos mentais, velho só pode… ELA FICOU COM O LUC, EU VI!
Pego o celular e ligo logo para ela, pois preciso saber dessa desculpa, pois ela só pode estar de sacanagem com a minha cara.
Toca, toca, toca e ninguém atende. Será que o Luc tá sabendo de algo? Alias, ainda não falei com ele. Mas, e se ele tiver afim dela e ela só ficou com ele por ficar? Não, não pode ser, ela estaria com o cara naquela hora. Meu, onde a Manu ta com a cabeça? Será que errou o nome? Mas não é da cara da Manu esquecer o nome dos garotos “que mudam a vida dela” em uma noite, vou ligar pro Luc só pra ver qual é o papo, não vou citar nada, só vou ver onde ele está pra ver se acaba falando alguma coisa.
Ligo e ninguém atende. OH SHIT! Até parece que ele ia atender. Ele NUNCA atende o telefone quando tem alguém por perto. Vou ficar ligando até ele atender.
Ligo umas 5 vezes, até que…
Luc: Oi, oi, aconteceu alguma coisa?
Eu: Oi, não, só queria saber como ta.
Luc: Ta tudo de boa, tu ta bem?
Eu: Tem certeza?
Luc: Por que não estaria?
Eu: Me diga você.
Luc: Sério, tu ta bem?
Eu: Claro, por que não estaria?
Luc: Sei lá, ta estranha.
Eu: To normal.
Luc: Tu nunca fala “to normal”
Eu: Lógico que eu falo.
Luc: Então ta…
Eu: Tchau.
Não espero que ele se despeça, já desligo.
Já não to entendendo mais nada. Quer saber, foda-se tudo, vou dormir que é o melhor que faço.
Acordei com o telefone tocando, era a Manu querendo falar do “grande” amor da vida dela. Não prestei muita atenção no que ela tava falando, mas deu para enganá-la.
Depois que eu desliguei o telefone, acabei perdendo o sono, então fui para o computador ver se tinha alguma coisa que seja legal.
Como sempre, nenhuma novidade, só o tédio que me prendia. Estava com vontade de jogar vídeo game, mas estava com tanta preguiça que nem fui.
O que me chamou atenção nesses longos minutos decidindo o que fazer, foi uma janelinha que começou a piscar na tela do computador.
É o Luc. O que esse garoto quer agora? Olho a janela e ta escrito “e ai gata, tudo bem?” só ele pra falar assim mesmo…
Olho pra conversa mais uma vez e penso “ah, foda-se” e mando só um “e ai mano” e deito na cama.
Conversamos normalmente, até que fiquei de saco cheio e sai. Resolvi ir andar um pouco, só andar sem rumo, sem pensar em nada.
Ta legal, não tem como ficar sem pensar, mas pelo menos sem me preocupar com nada, com ninguém. Tava precisando tomar um ar fresco no rosto assim a uns tempos já, esses últimos dias foram fogo ein.
Acho que vou pra pista, muito tempo que não vou lá.
Chegando lá encontro o Big, enquanto ele ta andando de skate e vou falar com a galera.Não tinha muita gente, ainda mais que está cedo, porém me sento com o Junior e começamos a conversar sobre nada enquanto olhamos o Big andando na pista.
Xxx: Qual é doidinha?
O Júnior estava olhando para trás de mim. Me viro.
Eu: Ah, oi…
Era o Felipe.
Júnior: Desde quando você fala com esse cara ai?
Eu: Quem disse que eu falo?
Felipe: Fala.
Eu: Desde quando eu sou doida?
Felipe: Desde sempre?
Júnior: Não gosto dele não, mas nisso ele tem razão.
Fiquei olhando para eles…
Eu: Qual é a de vocês?
Júnior: Não, qual é a de VOCÊS?! – Ele apontou para nós dois.
Eu: Que?
Júnior: Qual é a de vocês dois?
Felipe: Somos namorados, né amor?!
Eu: Não, não mesmo.
Júnior: Mas vocês tem alguma coisa.
Eu: Raiva, é isso que nós temos.
Felipe: Diga isso de você, xuxu.
Eu: Xuxu é a sua…
Felipe: Olha o que tu vai falar…
Eu: O que tem o que eu vou falar? Eu falo o que eu quiser.
Felipe: Então fale amorzinho, diga o quão gato eu sou.
Júnior: Uou, quero me por na briga de vocês não. – Ele vai levantando para sair, puxo ele para ele sentar de novo.
Eu: Não, pode ficar, já acabamos, ele quem vai embora.
Felipe: Eu não, vou ficar aqui te abraçando.
Eu: Tu não tem nenhuma mulher pra ir comer não?
Felipe: Já que você falou, tenho sim, você quer a onde? Na rua, aqui mesmo, ou na minha casa? Ou na sua… Tu que escolhe!
Eu: Vai se fuder
Felipe: Só se for contigo.
Nem respondo mais, já conseguiu encher. Levanto e vou indo embora.
Felipe: Hmmm, então já decidiu onde vai ser? Ótimo! Menos trabalho pra mim.
Eu: JÚUUUUNIOR! – Grito para ele vir comigo e deixo o Felipe no vácuo.
Junior: Oiiii
Eu: Não vem?
Felipe: Vai ser de três?
Juro que se esse garoto não parar de falar eu vou socar a cara dele.
Finalmente sossego, graças a Deus ficou quieto!
Eu: Que susto! – pulo para trás ao sentir uma mão cutucando minha cintura.
Felipe: Calma mo, ta tudo bem, sou só eu.
Não acredito que esse garoto veio até aqui ainda me encher, tava muito silêncio, tava bom demais pra ser verdade.
Eu: O que você está fazendo aqui?
Felipe: Ué amorzinho, estou aqui contigo…
Paro rapidamente de andar e me viro para ele, já gritando
Eu: NÃO FALA COMIGO, ESQUECE QUE EU EXISTO, TU ME ENTENDEU?
Mal acabo de falar e ele começa a me beijar. Tipo me beija? Que porra é essa? Esse garoto tá achando o que? Paro de beija-lo e falo:
Eu: Não fala mais comigo, não olha na minha cara. Não sei qual a parte do “fica longe de mim” você não consegue entender.
Ouvi uma risadinha vindo do meu lado, olhei e era o Júnior rindo, caramba velho, até ele agora ta pra me encher? Fico esperando o Felipe responder, mas ele não diz nada.
Júnior: Velho, to vazando aqui, se entendam vocês dois. - Vejo ele saindo e volto a olhar pro Felipe.
Felipe: Então quer dizer que essa é a nossa primeira DR?
Não espero nem ele falar mais nada, o deixo falando sozinho, porque se eu ficar ali vou acabar batendo nele.
Vou andando, como sempre, sem uma direção certa. Ando, ando e ando… Passo por tantos lugares enquanto vou pensando naquilo que acabou de acontecer que nem sei mais onde é que eu estou. Mesmo assim, continuando andando, meus pensamentos tão fortes demais para eu muda-los.
Fico pensando não somente no beijo, mas em tudo o que ele me disse antes, no seu modo idiota de ser e na sensação dele me tocando.
Até que eu percebo que eu conheço aquela rua, perai, aqui é a casa da Manu, porque eu vim pra cá? A sei lá, mas faz muito tempo que eu não a vejo e ela tem que me contar sobre o garoto lá que ela está afim e eu tenho que falar sobre o Felipe.
Como é que vou chegar pra ela e falar “o Felipe me beijou” tipo do nada? Já to até vendo como ela vai reagir…
Toco a campainha com a maior vontade de fugir, começo a lembrar o quão grossa eu fui com ela e da minha ironia ao ler o que ela tinha me mandando pelo computador.
Xxx: Bruna?! Quanto tempo! - Escuto uma voz conhecida, e então olho pra reconhecer de quem é.
Eu: Ah, oi, quanto tempo mesmo! Mas espera… você não tinha ido morar no Canadá?
Era o primo da Manu, um menino bonitão, devia ter uns 20 anos já, ele morou durante uns anos com a Manu, me lembro que eles brigavam o tempo todo! E ele dizia umas coisas muito nojentas na época pra mim. Mas como era o nome dele mesmo? Eu esqueci o nome do garoto, e agora cara, o que eu faço? Sorrir e fingir que se lembra de tudo, sorrir e fingir que se lembra de tudo, sorrir e fingir que se lembra de tudo. Isso! Vai funcionar.
Eu: A Manu tá por ai?
XXX: Tá, por que?
Eu: Acha que eu vim falar com você, mesmo eu nem sabendo que tu tá aqui?
XXX: Vai saber né - Ele dá aquela piscadinha
Vou entrando sem responder ele, e vou direto para o quarto da Manu
Eu: Fala aeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee, quanto tempo!!!
Manu: Bruna?! Tu ta bem?
Eu: Por que? Eu to, aconteceu algo contigo?
Manu: Sei la, você NUNCA mais veio em casa e você NUNCA entra falando assim como se tivesse toda alegrinha
Alegre nos sonhos dela, só se for… Mas por outro lado eu to feliz mesmo em vê-la
Eu: Nada a ver, só tava com saudade, mas se tiver atrapalhando eu vou embora.
Manu: Idiota, é claro que tu pode ficar.
Deito na cama, como se nada tivesse acontecido até que…
Manu: Você falou que estava com saudade? VOCÊ NUNCA FALA QUE TÁ COM SAUDADE, PRINCIPALMENTE DE MIM. O que aconteceu? Pode ir falando…
Eu: Nada ué, eu em. Sempre tem que ter alguma coisa…
Manu me fita por alguns instante até que ela fala
Manu: É alguma coisa de garoto, dá pra ver na sua cara. Tomara que tenha a ver com o Felipe
Eu: Como tu tá malvada! Sabia que não devia ter vindo aqui.
Manu: Você tava morrendo de vontade de vim aqui que eu sei, e nem muda de assunto.
Eu: Cara, eu to de boa, nem tem nada acontecendo não. Quero saber de você com o garoto lá, só isso.
Manu: Só isso? isso você iria esperar até amanha pra me perguntar disso, ia falar na rua mesmo.
Eu: Achei que tivesse apaixonada pelo cara e não quisesse que todos ficassem sabendo assim na rua.
Manu: Você ta mentindo.
Eu: Nunca menti pra ti.
Ela me fita mais um pouco…
Eu: Ta legal, algumas vezes só… Mas que tal você me falar do garoto agora?
Manu: Por que você não começa falando? Afinal, eu já te disse tudo por e-mail.
Penso um pouco, ela tem razão, ela já me contou tudo, mas ainda assim insisto.
Eu: Me conta mais, como ele é? Vocês andam se encontrando? Fala todas essas coisas chatinhas que você costuma me falar sempre esperando que eu dê pulinhos de alegria- HAHA
Ela continua me olhando como se soubesse que eu não quero saber de nada disso
Manu: Ok..
Então ela começou a falar como ele era bonito, alto, estilo garoto que toda garota quer ter e blábláblá
Manu: Tá me escutando?
Eu: Lógico
Manu: Então fala o que eu falei
Eu: O que diz de todos os garotos com quem você sai… Que é bonito, do estilo que toda garota quer ter e blablabla.
Manu: E depois disso o que eu disse?
Ela tá de zueira comigo né? Só pode… Ela não vai fazer eu repetir tudo, não sou uma criancinha poxa.
Manu: Anda, fala logo.
Eu: Você disse que gosta bastante dele e que tão se encontrando bastante… - tentei inventar algo.
Manu: Tá, você não ouviu absolutamente nada, sabia!
Eu: Eu tava ouvindo até ficar chato demais, juro que eu me esforcei.
Manu: Ok.
Eu: Vai ficar putinha agora? -Comecei a rir sem querer
Manu: Conta logo o que tá acontecendo.
Eu: Tá grossa ein?
Manu: Para de me provocar e fala.
Eu: Falar o que? Tá louca? - Provoquei mais.
Manu: Não quer falar? Então não fala. - Ela saiu do quarto e eu fui atrás pra ver o que ia fazer.
Ela vai andando pela casa, vai passando pelos outros quartos, pela sala… Até achei que ela ia sair, mas do nada ela entra na cozinha e para. Como assim? Ela é idiota por um acaso?
Abre a porta do armário e tira um saco de Ruffles de lá.
Eu: Achava que tava bravinha…
Manu: Quem disse que é pra você?
Eu: Mas e a história do “Não quer falar não fala”?
Manu: é, não quer falar não fala, mas também não ganha batata.
Eu: Essas são as melhores e não vai me dar nenhuma? -Faço biquinho.
Manu: Fala que ai eu dou, ué. E se eu fosse você, ia logo, porque você sabe como é né, vem mais ar do que batata.
Eu: Ta bom, eu falo, mas como vou saber que vai me dar mesmo?
Manu: Toma essa pequenininha, agora fala.
Eu: Mas não acaba com tudo! -Ela só me olhou, aposto que é porque tem mais no armário.
Eu: Felipe me beijou.
Manu estérica em 3,2,1…
Manu: VOCÊ BEIJOU O FELIPE?
Eu: Não, ele me beijou
Manu: TU RETRIBUIU?
Eu: … N-n-não.
Manu: COMO FOI?
Eu: Pior experiência da minha vida.
Manu começa a comer as batatas sem parar e fala de boca cheia.
Manu: PARA DE SHOW, PODE FALAR QUE TU GOSTOU, SAFADAA, SEMPRE SOUBE QUE TU ERA AFIM DELE HAHAHAHAHAHA
Por essas coisas que eu sempre me pergunto porque eu fui ser amiga dela.
Eu: não é bem assim…
Manu: COMO NÃO? E É O QUE??!
Eu: Para de gritar Manu, a gente não ta sozinhas.
Manu: Ta, mas me conta maaaaais!
Eu: Não tem o que contar…
Manu: Você gosta dele?
Eu: Não posso.
Manu: Mas gosta?
Eu: NÃO! Credo, Deus me livre.
Manu fica me encarando.
Eu: Que foi?
Manu: Nada, só to te olhando…
Eu: Sei… Agora me da essas batatas antes que acabem.
Quero manter mais tempo a batata na boca, para não precisar ficar falando mais nada.
Manu: Sempre pensei que vocês faziam um casal perfeito!
Casal porra nenhuma, só penso.
Manu: Imagina vocês na rua de mãos dadas….
Prefiro amputar meus braços.
Manu: Imagina vocês se beijando?!
Eu: Não imagine, sério.
Entao o primo da Manu chega falando.
Primo: Não imagine o que? Eu pelado? Vem ca gata, te mostro tudo no banheiro.
Graças a Deus alguém pra me livrar disso.
Eu: HA HA que engraçado - vou saindo da cozinha.
Primo: Sei que você gosta.
A Manu vai falar algo mas falo antes:
Eu: Não se atreva a dizer nada!
Manu me olha.
Eu: Vou embora.
Manu: Vai não, ta cedo.
Eu: Sei que me ama.
Abro a porta.